Como as empresas compram tecnologia e qual o impacto para os profissionais de TI?

O que o comportamento individual para adoção de tecnologia pode impactar na vida dos profissionais de TI?

 
As empresas são feitas de indivíduos, sendo assim, este comportamento de adoção de tecnologia se espelha nas empresas. São as pessoas que tomam a decisão de investir ou não em determinada tecnologia. E se você é um profissional de TI, certamente estará envolvido em uma das etapas deste processo de compras, independente de que lado você esteja, se cliente ou fornecedor.
 
Adotar uma nova tecnologia, sempre é um desafio, ainda mais se não tiver muitas referências de mercado e escolher, implantar e dar suporte cabe ao time de TI. 
 
Não raro uma série de dificuldades aparecem durante este processo, não seria interessante conhecer o caminho das pedras que outros já passaram?
 
A grande questão é: como você se prepara para isso? como você desenvolve as competências necessárias e ganha experiência para minimizar os riscos e potencializar as chances de sucesso? Como se adquire o tão famoso KNOW HOW!!!
Em 1962, o sociólogo norte-americano Everett Rogers introduziu o modelo da Curva da Adoção de Inovação (também chamada de Curva de Adoção de Tecnologia ou Difusão da Inovação) com o livro “Diffusion of Innovations“.
Essa teoria foi mudada muito pouco desde então, e continua sendo uma referência para o mercado.
O objetivo deste post não é se aprofundar nesta teoria, mas é importante conhecer seus pontos principais, porque ela tem um impacto direto na vida dos profissionais de TI dentro das empresas.
Então vamos a ela….
Segundo Everett Rogers, a adoção de uma nova tecnologia passa por 5 etapas…
  1. Primeiro o conhecimento, onde o indivíduo tem seu primeiro contato com a tecnologia, mas ainda faltam muitas informações e ele não se sente instigado a buscar mais.
  2. Depois vem a persuasão, o indivíduo passa a se interessar pela tecnologia e começa a procurar por mais informações.
  3. Na etapa de decisão O indivíduo já tem as informações necessárias de que precisa para botar na balança as vantagens e desvantagens e decidir se adota ou não aquela tecnologia. Esta sem dúvida é a etapa mais difícil!!!!
  4. Uma vez decidido, a implantação pode ser feita em diversas etapas, de acordo com a situação de cada um. Tecnologias muito complexas (e caras) podem ser adotadas aos poucos. É nesta etapa que o indivíduo tangibiliza o real valor da tecnologia.
  5. E por fim, a confirmação. Está etapa é quando o indivíduo ou o grupo acreditam que tomaram a decisão correta.
 
Dentro deste contexto, cada empresa é classificada em uma das 5 categorias de adoção da tecnologia, que segue uma curva S em relação ao tempo. São elas:
  1. Inovadoras, representam 2,5% dos consumidoras na curva, sendo as primeiras a assumirem o risco de comprar novos produtos, mesmo que estes não possuam utilidade e/ou qualidade comprovadas. São ousadas, sentem-se confortáveis ao assumirem riscos e apreciam o pioneirismo em tudo.
  2. Visionárias também são compradoras iniciais, representando 13,5% do total. As inovadoras servem de referência para elas, sendo um grupo que procura utilizar a inovação como fonte de vantagem competitiva em relação aos seus concorrentes.
  3. Pragmáticas são as empresas pertencentes à massa inicial a adotar a tecnologia, elas representam os primeiros 34% (maioria inicial), e fazem isso somente depois de ser comprovado que um determinado produto ou serviço possui um histórico de sucesso. Elas compram a tecnologia pela capacidade de viabilizar negócios e dependem da referência de pessoas de seu próprio nicho de mercado, ou seja, outro pragmático.
  4. Conservadoras representam outros 34% (maioria tardia) da massa, sendo estas, empresas que não visualizam qualquer vantagem na adoção da inovação, principalmente considerando o retorno sobre o investimento. Estes valorizam a funcionalidade e a praticidade do produto, sendo também sensíveis ao preço.
  5. Céticas ou retardatárias, representam os últimos 16% dos compradores. São tradicionais, não gostam de experimentar coisas novas e não seguem modismos. Eles só adotam a inovação quando não há outra alternativa disponível. A única razão desses caras ainda não comprarem telefones de disco (discagem rotacional) é porque eles não são mais vendidos.
Empresas early adopters (Entusiastas e Visionárias), entendem que para tirar vantagem competitiva das novas tecnologias é preciso estar preparado e tendem a investir mais em capacitação dos seus funcionários, mas não se engane achado que irá fazer cursos com especialistas e que isso resolverá todos os seus problemas.
 
Ao contrário, novas tecnologias foram pouco testadas, e portanto, poucas pessoas conhecem a fundo os problemas que elas pode gerar e como extrair o melhor delas. Nesta fase, muito provavelmente o caminho será estudar os materiais disponibilizados pelo fabricante ou desenvolvedor e aprender com a experiência deles como obter melhores resultados, mas não sem uma boa dose de tentativa e erro, para chegar lá.
 
Quando a tecnologia já estiver mais madura e passar a ser adotada pela maioria das empresas (os 70% que representam os Pragmáticos e Conservadores), o material disponível é mais amplo e fica mais fácil encontrar profissionais, fora do circulo de fabricantes, que já tiveram alguma experiência e podem ajudá-lo alcançar seus objetivos e minimizando os riscos.
 
Os cursos específicos já são mais fáceis de encontrar, mas as empresas nem sempre investem o necessário em capacitação dos funcionários, por uma série de razões, a principal delas é custo alto + risco de turn over (por que investir se os profissionais podem sair da empresa). Ainda sim, os cursos estão disponíveis e cabe a você avaliar se vale a pena investir do próprio bolso, caso não tenho apoio da empresa. 
 
Por fim, se você atua em uma empresa com perfil Cético, já não há grandes mistérios a serem desvendados, cursos, materiais e profissionais experientes de certa maneira são fáceis de encontrar e a tecnologia já está madura o suficiente para não trazer “muitos riscos” (sempre há), certamente você poderá se valer da ampla experiência de uma empresa terceirizada para fazer toda a implantação sem que haja necessidade de uma prévia capacitação mais sólida da sua parte.
 
O que todos os perfis tem em comum é que a competência vem com o aprendizado, seu e dos outros. E a troca de experiências diminui significativamente os risco da adoção de uma nova tecnologia.
 
O que nós da coruja digital queremos é compartilhar experiências vividas por outros profissionais de TI, colocar em pauta e discutir os erros e acertos na adoção da tecnologia.
 
Se você participou de algum projeto interessante e acredita que vale a pena compartilhar, deixe o seu comentário aqui no nosso blog.

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