Vale do Silício 2o Dia – Sim, você pode errar!!!

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…. desde que seja para acertar!

A cultura empreendedora do Vale do Silício é formada por vários aspectos, já falamos no 1o artigo da diversidade de cultura e opinião que permite às startups pensarem globalmente, logo tem muito mais potencial de serem exponencial.

Outro aspecto que pudemos ver em todos os empreendedores que conversamos é que em um ambiente de extrema incerteza como é o das startups, a única certeza é que todo empreendedor vai errar, e tudo bem!!! Acredito muito em aprender com os erros dos outros, não teremos tempo, dinheiro e energia para cometer todos sozinhos

Um ponto de atenção! Por “tudo bem” entenda-se que ninguém erra por errar, o erro é uma consequência de uma tentativa genuína de acertar, ele te prepara para testar a próxima hipótese, portanto se você só erra e não aprende nada, isso não tem valor!

Felipe Lamounier traz em sua apresentação um série de exemplos de empreendedores de sucesso como Steve Jobs, Bill Gates, Walt Disney, Mark Zuckerberg, Jeff Bezos, Elon Musk e outros que fracassaram em algum momento de suas vidas.

A questão é: se você está errando rápido e aprendendo, você está no caminho certo!

A nova visão do Marketing

A 2a apresentação do dia foi do professor da UC Berkeley e VP da George P. Johnson Rodrigo Spinosa, que é uma das principais referências em Marketing Digital e Social Media da atualidade.

Para quem já estudou os conceitos de Marketing sabe que a teoria dos 4 P’s já não são mais suficientes, os produtos e serviços precisam ser construídos com os clientes, por isso antes de lançar o produto final, testamos (errar e aprender) as hipóteses com MVP’s. A jornada do cliente mudou e a definição do marketing é muito mais ampla.

As novas gerações ditam as regras do mercado e a turma da vez se chama Geração Y ou Millennials. Se você ou sua empresa não estão ligados neste movimento, ligue o sinal vermelho

Eles não querem ter, querem ser! Não querem ter casa, querem ser livres, não querem ter cargos querem ser profissionais, não querem ter carros, querem apenas se deslocar (Uber agora, carros autônomos no futuro). Querem ser mais livres, não querem hotéis, querem viver a experiência local (Airbnb). A forma como eles se relacionam com produtos, serviços e tecnologia é muito diferente que te estamos habituados, portanto fique ligado!

Falando um pouco dessa nova relação, se você não paga por um produto, você é o produto! Aquela máxima de que não existe almoço grátis nunca foi tão verdade!

Pense na sigla FANGAU, e o que elas sabem sobre você:

Facebook – O que você faz (com quem e quando)

Amazon – O que você compra

Netflix – O que você gosta

Google – O que você deseja

Apple – Ponto de entrada (equipamentos)

Uber – Onde você vai

A nossa relação privacidade vs valor entregue está sendo bastante discutida, mas e na prática como está? Você cancelou sua conta no facebook depois do escândalo da Analytics? Pois é, nem eu!

Outro fato importante é a questão do propósito. A sua empresa tem? É genuíno? Representa os seus clientes? Eles não vão te seguir, se você não estiverem conectamos com o seu propósito.

Orgulho de pertencer

No artigo anterior, mencionei o orgulho que senti de ver brasileiros tendo sucesso num ambiente tão competitivo como é o Vale, outro momento de orgulho foi ouvir o Weber Canova e o Vicente Goetten mostrando o trabalho que a TOTVS vem realizando.

O TOTVS Labs que fica em Mountain View é uma espécie de incubadora, um ecossistema para acelerar, investir e conectar startups. 3 pilares são fundamentais (i) Inovação (nada de copy cat) (ii) Escala: do conceito ao desenvolvimento e (iii) Global: ajudando negócios locais a se tornarem globais

A troca de experiência é o ponto chave, levar engenheiros do Brasil para conhecer de perto o que as startups estão fazendo e o contrário para que elas entendam como integrar suas soluções às da TOTVS é o que faz esta parceria dar tantos frutos.

Fomos apresentados à Carol, esta senhorita é uma assistente virtual para negócios! É uma plataforma de IA que, analisando uma imensa base de dados pode te dar dicas de que ação tomar, por exemplo, como reter alunos ou que preços praticar na minha região? Ela também faz reconhecimento facial, emocional e tem capacidade de prever o comportamento.

Senhorita, foi um prazer!

Money, o que é good nóis num have!!!

Certamente nos anos 90 quando os Mamomas Assassinas criaram essa música, os empreendedores, principalmente no Brasil, tinham poucos recursos para financiar suas ideias, mas o cenário mudou. Tem muito dinheiro disponível!!! Não para todo mundo é claro! O Vale do Silício concentra 25% dos investimentos VC (Venture Capital) do mundo, isso mesmo 1/4 de toda a grana vai para lá!!! Mais um motivo do porquê as empresas querem estar lá.

Pedro Sorrentino Co-fundador da ONVEVC, compartilhou conosco como funciona a cabeça de um investidor, o que ele procura em um startup, o que ele espera de retorno e quais são as rodadas de investimentos.

Primeiramente, seja objetivo! Se você quer dinheiro, avise logo! Se quer mentoria deixe isso claro, a conversa será mais franca e talvez você receba bons insights.

Tenha em mente que no início o seu negócio tem muitas incertezas, portanto o investidor precisa ter confiança que você e sua equipe sabem o que fazem.

Algumas questões importantes:

  1. O investidor investe no seu mercado?
  2. Qual a sua tração? Como e quanto custa capturar seus clientes?
  3. Cash & Burn – quanto você está queimando de dinheiro na empresa?
  4. Como você define suas métricas?
  5. TAM SAM SOM – Qual sua expectativa? Ele vai investir no atual e não no que você acha que vai ser em x anos.
  6. Já teve investimentos anteriores? Quais foram as condições?
  7. Quais são os pontos de alerta (red-flags)
  8. Qual o tamanho e perfil do seu time técnico?
  9. Cap table: quanto cada sócio tem de participação e quanto de incentivo para os colaboradores?
  10. Colaboradores – quantidade e funções.
  11. Como você vai usar o dinheiro?

Como toda sociedade é um casamento, você também deve fazer algumas perguntas aos investidores. No artigo do Pedro tem mais detalhes, sugiro muito ler.

  1. Quanto capital você tem investido?
  2. Você tem um objetivo fixo de participação na minha empresa?
  3. Como é o seu processo de investimento?
  4. Tenha claro os próximos passos
  5. Formalize a conversa que tiveram.
  6. Deixe claro que você está conversando com outros investidores.

Na minha opinião, sócio ou investidor tem que agregar alguma coisa, então priorize o dinheiro inteligente de alguém que possa te ajudar a alavancar o seu negócio com conhecimento do mercado e/ou e networking.

O último motorista a ter habilitação

… já nasceu

Este é o título (The last driver license holder) do livro e apresentação de Mario HergerCEO da Enterprise Garage Consultancy, que nos brindou com uma aula de mobilidade.

Pare um pouco e pense, antes de existir o Uber, quantas vezes por semana ou mês você pegava taxi? E agora com o Uber, você já pensou em vender seu carro? Talvez você não tenha uma resposta exata, eu certamente não tenho, mas posso dizer que uso muito mais Uber do que usei taxi e com uma certa freqüência penso em vender meu carro. Algumas comodidades quando se tem filho pequeno ainda me impedem… por enquanto!

E quando sequer precisarmos dirigir??

Independente do mercado em que você atue, certamente você será impactado de alguma forma pelo caminho que a mobilidade está seguindo.

Saímos dos cavalos para as carruagens, passamos por carros a vapor, a combustão, elétricos, semi-autônomos e estamos viabilizando os 100% autônomos, ou seja, não haverá sequer volante no carro! Até as bicicletas serão autônomas, veja neste vídeo o que o google está fazendo!

Não é só o meio, mas principalmente o modelo de negócio que está mudando! a Tesla já está ultrapassada, continua vendendo carros! Sabe quem está mudando esse jogo? Isso mesmo, a turma dos millennials. Por que ter um carro e deixá-lo parado a maior parte do tempo? E no pouco tempo em que estou nele, estou no trânsito? Por que não compartilhar um carro seja ele de uma empresa ou de outra pessoa? Empresas como Zazcar, Moobie, Urbano e Joycar já fazem isso no Brasil e a Waymo empresa do Google (leia este artigo da Startse) que será a líder de carros de acordo com os analistas da UBS.

Em São Francisco tive a oportunidade de usar o Limebike. É muito simples: baixe o app, compre créditos, localize um patinete, destrave com o QR Code e pronto, comece a andar! Depois deixe-o em qualquer lugar, isso mesmo, qualquer lugar. E se você quiser ganhar uns trocados, cadastre-se como parceiro, recolha os patinetes de noite, carregue a bateria deles e devolva em algum lugar da cidade. Alguém imaginava que dava para fazer dinheiro dessa forma?

Em contra-partida com os carros autônomos teremos menos motoristas, postos de combustível, mecânicos, faróis, estacionamentos, concessionárias, seguro veicular, arrecadação de impostos e etc, etc, etc.

Cultura Netflix

Acho que de todas as apresentações que tivemos a do Martin Spear para mim foi a mais perturbadora, no bom sentido.

Em aproximadamente 60 minutos, se tanto, tudo o que me incomodou em 16 anos trabalhando em grandes empresas (e ainda incomoda olhando de fora) em termos de cultura organizacional foram jogados para o alto.

Todos conhecem a história da Netflix e como ela transformou o mercado, talvez o que poucos conheçam seja o como ela conseguiu fazer isso.

Aproveitando o mundo que estamos no mundo do entretenimento, vou logo dar um spoiler do que mais me marcou em toda a apresentação, e foi a seguinte frase:

“No Netflix, nós só contratamos adultos”

Não parece óbvio? Deveria, mas infelizmente não é, nem para as empresas, nem para os profissionais.

O Netflix montou um Dream Team e só entra nele os melhores em suas funções, não existe nível ou faixa salarial, você recebe o quanto você vale! Como é isso? Simples quanto você vale no mercado para os concorrentes vs quanto entrega.

Em um time de alta performance, não faz sentido cobrar horários ou regras desnecessárias, as pessoas vem antes dos processos, porque elas tomam a decisão correta. E se errarem? Ok, faz parte, se não errar não entrega.

Lá não tem controle, tem contexto! Os gestores definem o contexto, as decisões são botton up, cada um decide o que e como tem que entregar, aquilo que mais gera valor para a empresa. Os colaboradores são grandes decisores. Uma pessoa criativa vale mais do que dez medianas.

Todos são conhecidos pelo que entregam, e não por cargos. A transparência é total e todos tem acesso à todas as informações sejam os códigos da plataforma ou a estratégia da empresa.

Se você quer implantar uma cultura de alta performance na sua empresa, recomento ler o culture deck do Netflix para se inspirar.

Democratização do conhecimento

No final do dia visitamos a Udemy, que é uma das startups de educação que mais crescem no mundo, eles acreditam que todos tem algo a ensinar e tanto faz se o conteúdo será feito com um celular ou câmera moderna. O importante é democratizar o conhecimento.

A Udemy é um marketplace de educação, são mais de 65.000 cursos em mais de 60 idiomas, não há interferência na definição do conteúdo, é o aluno quem avalia o professor.

De acordo com o Fórum Econômico Mundial, 65% dos alunos do ensino básico vão trabalhar em profissões que ainda não existem, e a forma como eles irão aprender será muito diferente do que é hoje e as plataformas online sem dúvida serão os grandes motivadores desta mudança.

AI

Na 2a noite entra novamente em cena Cristiano Kruel. Sua introdução foi sobre inteligência artificial (AI), machine learning (ML) e deep learning (DL) e suas aplicações em diversas áreas como Face2Gene que faz mapeamento de doenças raras e Skin Cancer que consegue através da análise de imagens dos locais afetados identificar o tipo de cancer de pele. O diagnóstico é muito mais rápido e preciso do que um humano pode fazer.

Estudantes da Universidade de Washington usaram o áudio extraído de um vídeo do ex-presidente Barack Obama para sincronizar seus lábios em outro vídeo. Numa época onde o fake news é uma preocupação geral, ver o resultado obtido por estes estudantes no mínimo deixa o alerta ligado! Veja o vídeo.

A AI não é novidade, ela vem sendo estudada desde a década de 50, mas só começou a ser viabilizada recentemente por conta da evolução tecnológica dos hardwares, graças a NVIDIA, mas está história fica para outro post.

Product-solution Fit

No trabalho em equipe, este foi o dia de validar a ideia, ou seja, criar um protótipo e testar com o mercado. Como já havia mencionado no artigo anterior, o nosso projeto seria a coruja digital.

Apesar de estar trabalhando há algum tempo no conceito da coruja digital e de alguma maneira já ter pré-validado alguns destes conceitos, foi nesta semana super intensa que novas propostas surgiram.

Inicialmente o foco seria na capacitação dos profissionais de TI, sem dúvida é um bom problema a se resolver. Nos meus 16 anos atuando na área, presenciei muitas dificuldades nesta questão seja para contratar profissionais, negociar com clientes que não especificavam bem suas necessidades por não conhecer a fundo o que precisavam e comigo mesmo, quando queria buscar referências mais detalhadas sobre implantação ou gestão de projetos de TI.

Porém, será que esta era realmente a “dor” que a coruja precisa resolver? A riqueza de estar em um grupo de 100 pessoas é a diversidade, nele haviam perspectivas diversas. O executivo que precisa contratrar, o profissional que quer se capacitar e progredir em sua carreira e. BINGO!

A dor estava mascarada, não basta capacitar! Tem que capacitar e facilitar o trabalho da empresa de encontrar esses profissionais!

E assim é o nosso propósito definido em uma frase:

“Capacitar profissionais de TI e conectar com oportunidades de trabalho”

O nosso 1o MVP é um estudo de casos que será lançado em breve, e o 2o será uma trilha de conhecimento em segurança da informação.

Muita coisa? Juro que tentei compilar ao máximo as 12 horas intensas que tivemos sem perder os detalhes mais importantes (na minha humilde visão).

Até o próximo dia!!!

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